Introdução: Irei apresentar neste Post, uma fórmula para calcular a distância entre dois pontos sobre a superfície terrestre. Para simplificar a fórmula que iremos obter, suponhamos que a Terra seja esférica e que conhecemos o raio terrestre e as coordenadas geográficas (latitude e longitude) de dois pontos sobre a superfície terrestre. Assim, é possível deduzir uma fórmula para distância mínima entre esses pontos. Antes de prosseguir, vejamos o conceito de coordenadas geográficas.Coordenadas Geográficas: Todos os pontos da superfície terrestre são localizados pela cruzamento de duas coordenadas geográficas: latitude e longitude. As coordenadas são linhas imaginárias, separadas em intervalos regulares e medidas em graus. As longitudes, ou meridianos são as linhas paralelas ao meridiano de Greenwich.
Equador: A rotação da Terra estabelece um eixo imaginário, cuja intersecção com a superfície terrestre estabelece os dois polos. O meio do caminho entre os polos é a linha do Equador.
Latitudes ou Paralelos: São linhas paralelas ao Equador, medidas em graus, partindo do Equador de

Longitudes ou Meridianos: São linhas imaginárias resultante da intersecção de um plano que passa pelos polos com a superfície terrestre. Os meridianos são medidos em graus, partindo de Greenwich (meridiano inicial) de
Abaixo estão algumas coordenadas geográficas de algumas cidades:1) Roma:
2) Paris:
3) São Paulo (SP):
4) Porto Alegre (RS):
5) Lavras (MG):
Note que a latitude pode ser associada a um ângulo central Relação Entre Coordenadas Geográficas e Cartesianas:
Seja
Cálculo da Distância entre os pontos Sejam
e
as coordenadas cartesianas de dois pontos sobre a superfície terrestre. Existem infinitas linhas que ligam
e
, e a que possui comprimento mínimo é chamada de geodésica. Pelo Cálculo das Variações, prova-se que a distância mínima entre
e
é igual ao comprimento de um arco de círculo que passa por esses pontos e pelo centro da Terra, ou seja, as geodésicas sobre as esferas são círculos máximos.
Sendo o setor
pertencente a um círculo máximo, a distância entre os pontos
e
é dada por
![L = R\phi \quad \quad (2) [;L = R\phi \quad \quad (2);]](http://thewe.net/tex/L%20=%20R%5Cphi%20%5Cquad%20%5Cquad%20%282%29)
![(3) [;(3);]](http://thewe.net/tex/%283%29)
Sendo o setor onde
é o ângulo compreendido entre os vetores
e
medido em radianos e
é o raio terrestre, cujo valor aproximado é
. Para determinar
em termos das coordenadas geográficas de
e
usaremos a Lei dos Cossenos no triângulo
, ou seja,
, pois
, donde segue que
Substituindo
em
, temos:
![R^2\cos \phi = R^2(\cos \alpha_0\cos \theta_0\cos \alpha_1 \cos \theta_1 + \cos \alpha_0 \sin \theta_0\cos \alpha_1 \sin \theta_1 + \sin \alpha_0 \sin \alpha_1) [;R^2\cos \phi = R^2(\cos \alpha_0\cos \theta_0\cos \alpha_1 \cos \theta_1 + \cos \alpha_0 \sin \theta_0\cos \alpha_1 \sin \theta_1 + \sin \alpha_0 \sin \alpha_1);]](http://thewe.net/tex/R%5E2%5Ccos%20%5Cphi%20=%20R%5E2%28%5Ccos%20%5Calpha_0%5Ccos%20%5Ctheta_0%5Ccos%20%5Calpha_1%20%5Ccos%20%5Ctheta_1%20+%20%5Ccos%20%5Calpha_0%20%5Csin%20%5Ctheta_0%5Ccos%20%5Calpha_1%20%5Csin%20%5Ctheta_1%20+%20%5Csin%20%5Calpha_0%20%5Csin%20%5Calpha_1%29)
ou seja,
![(4) [;(4);]](http://thewe.net/tex/%284%29)
De
, temos o resultado desejado,
![L = R\phi = R\arccos[\cos \alpha_0 \cos \alpha_1 \cos(\theta_0 - \theta_1) + \sin \alpha_0 \sin \alpha_1] [;L = R\phi = R\arccos[\cos \alpha_0 \cos \alpha_1 \cos(\theta_0 - \theta_1) + \sin \alpha_0 \sin \alpha_1];]](http://thewe.net/tex/L%20=%20R%5Cphi%20=%20R%5Carccos%5B%5Ccos%20%5Calpha_0%20%5Ccos%20%5Calpha_1%20%5Ccos%28%5Ctheta_0%20-%20%5Ctheta_1%29%20+%20%5Csin%20%5Calpha_0%20%5Csin%20%5Calpha_1%5D)
Usando a fórmula acima, é fácil ver que a distância entre Paris e Roma é
e entre São Paulo e Porto Alegre é
.
Referências:
- Spiegel, Murray R. Análise Vetorial - Resumo da Teoria. Livro Técnico e Científico. Rio de Janeiro, 1966.
- Simmons, George F. Cálculo com Geometria Analítica. Vol. 2 - McGraw-Hill. São Paulo, 1987.
- Spiegel, Murray R. Análise Vetorial - Resumo da Teoria. Livro Técnico e Científico. Rio de Janeiro, 1966.
- Simmons, George F. Cálculo com Geometria Analítica. Vol. 2 - McGraw-Hill. São Paulo, 1987.
Muito bom esse site, realmente tem um monte de fatos interessantes para quem gosta de matemática!
ResponderExcluirMas é bom lembrar que essa equação é só uma aproximação, pois a Terra não é esférica. O modelo matemático utilizado para representá-la é o elipsoide de revolução e a equação da linha geodésica se torna muito mais complexa sobre essa superfície. Só para constar, a forma da Terra é estudado pela Geodésia.
Gostaria de deixar claro que minha intenção é contribuir para o aperfeiçoamento do site.
Concordo plenamente com você, mas esta primeira aproximação considerando a Terra esférica é mais para fins didáticos e também para mostrar uma aplicação do produto escalar. Obrigado pelos elogios sobre o blog e volte sempre.
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