Um pai antes de morrer fez um testamento cerrado e, com duas testemunhas, depositou-o num cartório. Após a morte do testador, as duas testemunhas foram comunicar aos dois filhos da existência do testamento. O testamento foi apresentado ao juiz, este o abriu e em seguida leu para conhecimento dos dois filhos. No testamento estava escrito: deixo como herança, para meus dois filhos João e José, um terreno com área igual a O juiz mandou o tabelião convocar duas pessoas da cidade, Antônio e Manoel, que eram consideradas como especialistas no cálculo de áreas. Ao serem apresentados ao juiz, este entregou o problema aos calculistas de área, e disse-lhes:
- Não há pressa em resolver o problema, o que espero é que o resolvam. Caso resolvam, será dada uma boa recompensa pelos herdeiros.
Os calculistas ao começar resolver o problema, notaram que para solucioná-lo teriam que resolver a seguinte equação:
. Antônio disse para Manoel:
- Se conseguirmos achar o valor de
ou de
o problema está resolvido.
Manoel respondeu:
- Ora, como a raiz quadrada de
é
, logo, basta elevar ao quadrado cada número de
a
e subtrair de
, se o resultado for um quadrado perfeito, então, o problema está resolvido.
Antônio deu a seguinte sugestão:
- Manoel, como são ao todo
números, e
, não é um quadrado perfeito, então, restarão
números. Nesse caso vamos dividir a tarefa: você eleva ao quadrado os números de
a
e subtraia de
; e eu faço o mesmo de
a
.
Manoel chegou a um quadrado perfeito, primeiro do que Antônio:
. Então gritou:
- EUREKA!
Antônio, pergunta:
- Qual a área que cada filho irá receber e qual a percentagem em relação a área total?
- Manoel explica:
Resposta: José (o filho adotivo) recebe
da herança e João (o filho legítimo),
.
- Manoel indaga:
- Mas a resposta não está de acordo com o testamento.
- Por quê? Pergunta Manoel.
- Porque no testamento está claro:
"João (filho legítimo) receberá mais de 64% da área, e José (filho adotivo) receberá menos de 36%. Como não sou matemático, não sei ao certo que área receberá cada filho, mas que a justiça seja feita ao meu filho adotivo." E na solução do problema, nem João recebeu mais de 64% da herança, e nem José, menos de 36%.
Manoel olha para Antônio e pergunta:
- Será que não existe outra solução para o problema?
Antônio responde:
- Se você acha que pode existir outra solução, então, continuemos a elevar ao quadrado os restantes dos números.
Dessa vez, Antônio chegou a um quadrado perfeito primeiro do que Antônio:
.
Então gritou:
- EUREKA!...
Manoel, pergunta:
- Qual a área que cada filho irá receber e qual a percentagem em relação a área total?
- Antônio explica:
Resposta: José (o filho adotivo) recebe
(7,84%
36%) da herança, e João (o filho legítimo),
(92,16%
64%). Agora sim, a solução está de acordo com o testamento.
Manoel não concorda, e diz:
A resposta ainda não está de acordo com o testamento. O pai escreveu no testamento: "Como não sou matemático, não sei ao certo que área receberá cada filho, mas que a justiça seja feita ao meu filho adotivo". O enigma está na frase: ... mas que a justiça seja feita ao meu filho adotivo.
Antônio disse:
- Vamos levar as duas soluções ao juiz, e ele decide qual a solução é mais justa para o filho adotivo.
O juiz ao tomar conhecimento das duas soluções, apresentadas por Antônio e Manoel, anunciou que iria analisar as soluções sem deixar de considerar a frase enigmática: "...mas que a justiça seja ao meu filho adotivo". E no dia seguinte daria seu veredicto.
Se você, caro leitor, estivesse no lugar do juiz, qual a divisão mais justa para atender ao pedido do falecido? "... mas que a justiça seja feita ao meu filho adotivo."
Se Antônio e Manoel tivessem tido a sorte de ler o trabalho - Representação dos Naturais Como Soma de Dois Quadrados - escrito pelo professor Paulo Sérgio, e publicado no Blog FATOS MATEMÁTICOS, eles teriam encontrado as duas soluções mais rapidamente. Se não vejamos.
Há onze maneiras de escrever
Para achar
e
, considere os números complexos
e
formados pelas parcelas dos números
e
.
Como
, então
. Portanto,
e
. Trocando o sinal de
, obtém-se outra solução:
Portanto,
Antônio disse:
- Vamos levar as duas soluções ao juiz, e ele decide qual a solução é mais justa para o filho adotivo.
O juiz ao tomar conhecimento das duas soluções, apresentadas por Antônio e Manoel, anunciou que iria analisá-la sem deixar de considerar a frase enigmática: "...mas que a justiça seja feita ao meu filho adotivo." E no dia seguinte daria seu veredicto.
Se você, caro leitor, estivesse no lugar do juiz, qual a divisão mais justa para atender ao pedido do falecido? "... mas que a justiça seja feita ao meu filho adotivo."
CONCLUSÃO:
CONCLUSÃO:
Para que ensinar números complexo, somente pelo fato desse assunto fazer parte do currículo do Ministério da Educação? Para mim é coisa que, isolada, não significa absolutamente nada. Pior atrapalha a carreira de muitos jovens. Como podemos esperar algum resultado do ensino da matemática, se cujas ementas não mencionam aplicações? Ou será que o que consta nas ementas é apenas para ser cobrado nas provas?
Como seria estimulante, para todos os alunos, se o professor mostrasse o quanto é poderoso fundamental aquilo que estão aprendendo!
Diante do exposto, podemos afirmar que:
a) a aversão que o aluno tem à matemática, decorre da distância que o Ensino Fundamental, Médio e Superior guarda da realidade em que vive;
b) já que o aluno não consegue fazer a conexão entre o que aprende e suas necessidades do dia a dia, daí vem o desinteresse e, em consequência, a aversão à matemática;
c) toda a matemática do Ensino Fundamental e Médio é importante para a vida do aluno, mas forma como é "ensinada" não serve para nada.
Artigo enviado por Sebastião Vieira do Nascimento (Sebá). Professor titular (por concurso) aposentado da UFCG - Universidade Federal de Campina Grande - PB. Cidade: Campina Grande - PB. e-mail: se.ba@uol.com.br
Gostará de ler também os outros artigos do mesmo autor:
- Método de Newton Para Calcular
- Três Fórmulas no Sistema de Amortização Constante (SAC) que não Existem em Nenhum Livro de Matemática Financeira.
Que problema maluco!!! Parece fácil no começo e cada vez piora mais!!! Parabens!!!
ResponderExcluirQueria aproveitar e deixar os parabens pelo site tb!!!
ResponderExcluirProf. Paulo,
ResponderExcluirSeria irretocável o artigo que descreve um problema puramente matemático, se do início ao fim, não houvesse a citação da figura do juiz, pois, a solução do Magistrado, certamente deveria dividir o terreno entre três partes iguais, posto que não existe distinção entre os filhos biológicos e adotivos na divisão da herança. O problema apenas reforça uma cultura de que a filiação ou a paternidade por adoção são formas de constituição de família diferentes do que a biológica, discriminando-a e reforçando o preconceito.
Excelente problema, e ótima solução usando números complexos.
ResponderExcluirQuando à conclusão final, estou de completo acordo. O currículo deveria dar mais ênfase à áreas mais belas da Matemática, como a Teoria dos Números, Grafos, Geometria. Ao contrário, dão ênfase demais em áreas que servem mais à computadores e programadores, como a Álgebra Linear e o estudo das Matrizes.
Fica o meu Feliz Natal aqui professor, e continue com seu excelente trabalho, sempre divulgando a Rainha das Ciências.
Abraço.