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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Equações Diferencias Ordinárias de Segunda Ordem (Parte 1)

As equações diferenciais de segunda ordem surgem em vários fenômenos físicos tais como sistemas massa-mola, circuitos elétricos, deflexões de vigas e soluções resultantes da técnica de separação de variáveis para EDP's lineares. Historicamente, Newton teve resolver uma equação diferencial de segunda ordem para deduzir as leis de Kepler à partir de sua lei da gravitação. Neste post, apresentamos os primeiros conceitos e ideias sobre este assunto.

Sejam [;a_1(x),\ldots, a_n(x);] funções contínuas definidas sobre um intervalo fechado [;[a,b];]
e suponhamos que a função [;u(x);] seja [;n;] vezes diferenciável em [;(a,b);]. O operador [;L;] é definido por

[;(Lu)(x) = u^{(n)}(x) + a_1(x)u^{(n-1)} + \ldots + a_{n-1}(x)u^{\prime} + a_n(x)u(x);]

Esta expressão para [;L;] em termos de [;u;] e suas derivadas é linear no sentido de que

[;L(\alpha u + \beta v) = \alpha Lu + \beta Lv;]

para quaisquer constantes [;\alpha;] e [;\beta;] e quaisquer funções [;u;] e [;v;] suficientemente diferenciáveis. Este resultado é clássico e fica à cargo do leitor.

As equações diferenciais resultantes do operador diferencial [;L;] pode ser homogênea ou não-homogênea, isto é,


[;Lu = 0 \qquad (1);]
e
[;Lu = r \qquad (2);]

onde [;r(x);] é uma função definida em [;[a,b];].

Proposição 1: Se [;u_1;] e [;u_2;] são soluções da equação diferencial homogênea [;(1);], então para quaisquer constantes [;c_1;] e [;c_2;], a função [;c_1u_1 + c_2u_2;] também é solução.

Demonstração: De fato, pela propriedade de linearidade, temos:

[;L(c_1u_1 + c_2u_2) = c_1L(u_1) + c_2L(u_2) = c_1\cdot 0 + c_2\cdot 0 = 0;]

Proposição 2: Se [;u_1;] e [;u_2;] são duas soluções da equação diferencial não-homogênea [;(2);], então [;u_1 - u_2;] é solução da equação diferencial homogênea [;(1);].

Demonstração: Por hipótese, temos [;Lu_1 = r;] e [;Lu_2 = r;], de modo que

[;L(u_1 - u_2) = Lu_1 - Lu_2 = r - r = 0;]

Proposição 3: Suponhamos que [;u_1;] e [;u_2;] sejam soluções das equações diferenciais não-homogêneas [;Lu_1 = r_1;] e [;Lu_2 = r_2;] , então para quaisquer constantes [;c_1;] e [;c_2;], a função [;u = c_1u_1 + c_2u_2;] é solução da equação diferencial não-homogênea [;Lu = r;], onde [;r = c_1r_1 + c_2r_2;].

Demonstração: De fato,

[;Lu = L(c_1u_1 + c_2u_2) = c_1Lu_1 + c_2Lu_2 = c_1r_1 + c_2r_2 = r;]

Estas são as principais propriedades sobre as equações diferenciais lineares de ordem [;n;]. Vejamos agora o operador [;L;] no caso em que [;n = 2;]. Neste caso,

[;Lu = u^{\prime \prime} + p(x)u^{\prime} + q(x)u \qquad (3);]

sendo [;u;] uma função duas vezes diferenciável. A solueção da equação diferencial homogênea [;Lu = 0;] ou a equação diferencial não-homogênea [;Lu = r;], envolve as constantes arbitrárias [;c_1;] e [;c_2;]. Estas constantes podem ser determinadas especificando condições iniciais sobre a função [;u(x);] ou sua derivada [;u^{\prime}(x);], por exemplo, se [;u(x_0) = u_0;] e [;u^{\prime}(x_0) = u_{0}^{\prime};], obtemos o problema de valor inicial não-homogêneo:

[;\begin{cases}Lu = r\\u(x_0) = u_0\\u^{\prime}(x_0) = u_{0}^{\prime}\end{cases} \qquad (4);]

No caso em que [;r(x) \equiv 0;], o problema de valor inicial [;(4);] é dito homogêneo. Enunciaremos abaixo um teorema relativo a existência de soluções cuja demonstração está além deste post inicial e será omitida.

Teorema 1: Suponha que as funções [;p,q;] e [;r;] são contínuas sobre o intervalo [;[a,b];]. Então o problema de valor inicial [;(4);] possui uma solução sobre este intervalo.

Para obter a unicidade de solução do problema de valor inicial [;(4);], devemos impor mais condições restritivas sobre as funções [;p;], [;q;] e [;r;] que serão vistas futuramente.

Um caso interessante de equação diferencial de segunda ordem abordado inicialmente por Leonhard Euler é obtido considerando [;L;] como um operador de coeficientes constantes, isto é,

[;Lu = au^{\prime \prime} + bu^{\prime} + cu;]

de modo que a equação homogênea correspondente é dada por:

[;au^{\prime \prime} + bu^{\prime} + cu = 0 \qquad (5);]

Para esta equação, Euler teve a ideia de supor que a solução tem a forma [;u(x) = e^{\lambda x};]. Derivando esta expressão e substituindo em [;(5);], obtemos:

[;a\lambda^2 e^{\lambda x} + b\lambda e^{\lambda x} + ce^{\lambda x} = 0 \quad \Rightarrow;]

[;(a\lambda^2 + b\lambda + c)e^{\lambda x} = 0;]

Esta expressão é um produto de dois termos, sendo que um deles ([;e^{\lambda x};]) nunca se anula. Portanto,

[;a\lambda^2 + b\lambda + c = 0 \qquad (6);]

Esta equação quadrática é chamada equação característica da equação diferencial homogênea [;(5);] e conforme o número de raízes que ela possui, teremos diferentes tipos de soluções. Exploremos esta equação na segunda parte desta série.

Gostará de ler também:
- Considerações Gerais Sobre EDO's;
- Equações Diferenciais Exatas;
- A Equação de Bernoulli;
- Equações Diferenciais Ordinárias Redutíveis às Equações Separáveis;
- Um Problema de Reação Química Via EDO.

3 comentários:

  1. Prof.Sérgio Paulo, tudo bem? Esta é minha iniciação em EDO de 2ª ordem. Uma dúvida: na expressão de Lu(x), ora entendo que u^n é uma potência de u(x), ora entendo que u^n é uma potência da variável u. Estou certo?

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  2. Olá Aloisio, para [;u^n;] significa a derivada de ordem [;n;] da função [;u(x);]. Para evitar ambiguidades, é comum escrever usando parênteses. Veja novamente o texto. Obrigado pelo comentário e volte sempre!

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  3. Obrigado, Paulo! Consegui absorver tudo. Peguei uma boa base.

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