As equações diferenciais de segunda ordem surgem em vários fenômenos físicos tais como sistemas massa-mola, circuitos elétricos, deflexões de vigas e soluções resultantes da técnica de separação de variáveis para EDP's lineares. Historicamente, Newton teve resolver uma equação diferencial de segunda ordem para deduzir as leis de Kepler à partir de sua lei da gravitação. Neste post, apresentamos os primeiros conceitos e ideias sobre este assunto. Sejam
Esta expressão para
em termos de
e suas derivadas é linear no sentido de que
![L(\alpha u + \beta v) = \alpha Lu + \beta Lv [;L(\alpha u + \beta v) = \alpha Lu + \beta Lv;]](http://thewe.net/tex/L%28%5Calpha%20u%20+%20%5Cbeta%20v%29%20=%20%5Calpha%20Lu%20+%20%5Cbeta%20Lv)
para quaisquer constantes
e
e quaisquer funções
e
suficientemente diferenciáveis. Este resultado é clássico e fica à cargo do leitor.
As equações diferenciais resultantes do operador diferencial
pode ser homogênea ou não-homogênea, isto é,
![Lu = 0 \qquad (1) [;Lu = 0 \qquad (1);]](http://thewe.net/tex/Lu%20=%200%20%5Cqquad%20%281%29)
eAs equações diferenciais resultantes do operador diferencial
onde
Proposição 1: Se
e
são soluções da equação diferencial homogênea
, então para quaisquer constantes
e
, a função
também é solução.
Demonstração: De fato, pela propriedade de linearidade, temos:
![L(c_1u_1 + c_2u_2) = c_1L(u_1) + c_2L(u_2) = c_1\cdot 0 + c_2\cdot 0 = 0 [;L(c_1u_1 + c_2u_2) = c_1L(u_1) + c_2L(u_2) = c_1\cdot 0 + c_2\cdot 0 = 0;]](http://thewe.net/tex/L%28c_1u_1%20+%20c_2u_2%29%20=%20c_1L%28u_1%29%20+%20c_2L%28u_2%29%20=%20c_1%5Ccdot%200%20+%20c_2%5Ccdot%200%20=%200)
Demonstração: De fato, pela propriedade de linearidade, temos:
Proposição 2: Se
e
são duas soluções da equação diferencial não-homogênea
, então
é solução da equação diferencial homogênea
.
Demonstração: Por hipótese, temos
Proposição 3: Suponhamos que
e
sejam soluções das equações diferenciais não-homogêneas
e
, então para quaisquer constantes
e
, a função
é solução da equação diferencial não-homogênea
, onde
.
Demonstração: De fato,
![Lu = L(c_1u_1 + c_2u_2) = c_1Lu_1 + c_2Lu_2 = c_1r_1 + c_2r_2 = r [;Lu = L(c_1u_1 + c_2u_2) = c_1Lu_1 + c_2Lu_2 = c_1r_1 + c_2r_2 = r;]](http://thewe.net/tex/Lu%20=%20L%28c_1u_1%20+%20c_2u_2%29%20=%20c_1Lu_1%20+%20c_2Lu_2%20=%20c_1r_1%20+%20c_2r_2%20=%20r)
Demonstração: De fato,
Estas são as principais propriedades sobre as equações diferenciais lineares de ordem
. Vejamos agora o operador
no caso em que
. Neste caso,
![Lu = u^{\prime \prime} + p(x)u^{\prime} + q(x)u \qquad (3) [;Lu = u^{\prime \prime} + p(x)u^{\prime} + q(x)u \qquad (3);]](http://thewe.net/tex/Lu%20=%20u%5E%7B%5Cprime%20%5Cprime%7D%20+%20p%28x%29u%5E%7B%5Cprime%7D%20+%20q%28x%29u%20%5Cqquad%20%283%29)
sendo
uma função duas vezes diferenciável. A solueção da equação diferencial homogênea
ou a equação diferencial não-homogênea
, envolve as constantes arbitrárias
e
. Estas constantes podem ser determinadas especificando condições iniciais sobre a função
ou sua derivada
, por exemplo, se
e
, obtemos o problema de valor inicial não-homogêneo:
No caso em que
, o problema de valor inicial
é dito homogêneo. Enunciaremos abaixo um teorema relativo a existência de soluções cuja demonstração está além deste post inicial e será omitida.
Teorema 1: Suponha que as funções
e
são contínuas sobre o intervalo
. Então o problema de valor inicial
possui uma solução sobre este intervalo.
Para obter a unicidade de solução do problema de valor inicial
, devemos impor mais condições restritivas sobre as funções
,
e
que serão vistas futuramente.
Um caso interessante de equação diferencial de segunda ordem abordado inicialmente por Leonhard Euler é obtido considerando
como um operador de coeficientes constantes, isto é,
![Lu = au^{\prime \prime} + bu^{\prime} + cu [;Lu = au^{\prime \prime} + bu^{\prime} + cu;]](http://thewe.net/tex/Lu%20=%20au%5E%7B%5Cprime%20%5Cprime%7D%20+%20bu%5E%7B%5Cprime%7D%20+%20cu)
de modo que a equação homogênea correspondente é dada por:
![au^{\prime \prime} + bu^{\prime} + cu = 0 \qquad (5) [;au^{\prime \prime} + bu^{\prime} + cu = 0 \qquad (5);]](http://thewe.net/tex/au%5E%7B%5Cprime%20%5Cprime%7D%20+%20bu%5E%7B%5Cprime%7D%20+%20cu%20=%200%20%5Cqquad%20%285%29)
Para esta equação, Euler teve a ideia de supor que a solução tem a forma
. Derivando esta expressão e substituindo em
, obtemos:
![a\lambda^2 e^{\lambda x} + b\lambda e^{\lambda x} + ce^{\lambda x} = 0 \quad \Rightarrow [;a\lambda^2 e^{\lambda x} + b\lambda e^{\lambda x} + ce^{\lambda x} = 0 \quad \Rightarrow;]](http://thewe.net/tex/a%5Clambda%5E2%20e%5E%7B%5Clambda%20x%7D%20+%20b%5Clambda%20e%5E%7B%5Clambda%20x%7D%20+%20ce%5E%7B%5Clambda%20x%7D%20=%200%20%5Cquad%20%5CRightarrow)
sendo
No caso em que
Teorema 1: Suponha que as funções
Para obter a unicidade de solução do problema de valor inicial
Um caso interessante de equação diferencial de segunda ordem abordado inicialmente por Leonhard Euler é obtido considerando
de modo que a equação homogênea correspondente é dada por:
Para esta equação, Euler teve a ideia de supor que a solução tem a forma
Esta expressão é um produto de dois termos, sendo que um deles (
Esta equação quadrática é chamada equação característica da equação diferencial homogênea
e conforme o número de raízes que ela possui, teremos diferentes tipos de soluções. Exploremos esta equação na segunda parte desta série.
Gostará de ler também:
- Considerações Gerais Sobre EDO's;
- Equações Diferenciais Exatas;
- A Equação de Bernoulli;
- Equações Diferenciais Ordinárias Redutíveis às Equações Separáveis;
- Um Problema de Reação Química Via EDO.
Prof.Sérgio Paulo, tudo bem? Esta é minha iniciação em EDO de 2ª ordem. Uma dúvida: na expressão de Lu(x), ora entendo que u^n é uma potência de u(x), ora entendo que u^n é uma potência da variável u. Estou certo?
ResponderExcluirOlá Aloisio, para [;u^n;] significa a derivada de ordem [;n;] da função [;u(x);]. Para evitar ambiguidades, é comum escrever usando parênteses. Veja novamente o texto. Obrigado pelo comentário e volte sempre!
ResponderExcluirObrigado, Paulo! Consegui absorver tudo. Peguei uma boa base.
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