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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O Sistema de Coordenadas Polares

Um sistema de coordenadas no plano permite-nos associar um par ordenado de números a cada ponto do plano. Essa ideia simples e profunda que surgiu nos trabalhos dos matemáticos René Descartes e Pierre de Fermat, no século [;XVII;]permite juntamente com o Cálculo investigar as propriedades das curvas através das ferramentas da Álgebra.

Na maioria dos casos, é abordado apenas o sistema de coordenadas retangulare ou cartesianas, no qual a ênfase é colocada sobre as distâncias de um ponto a dois eixos perpendiculares. Em algumas aplicações, tais como a curva descrita por um planeta em torno do sol, é mais vantajoso usar um outro sistema de coordenadas cuja posição de um ponto é descrito por sua direção a partir da origem, e por sua distância da origem. Um tal sistema é chamado de sistema de coordenadas polares.

Na figura acima, temos um ponto [;P;] juntamente com suas coordenadas. A semi-reta [;OA;] é chamado eixo polar e [;OP = r;] é o raio vetor. A direção especificada por um ângulo [;\theta;] em radianos, medida a partir de [;OA;]. Este ângulo [;\theta;]é positivo se for medido no sentido anti-horário e negativo se for medido no sentido horário exatamente como se faz na Trigonometria. A distância é dada pela distância orientada [;r;], medida a partir da origem ao longo do lado terminal do ângulo [;\theta;]. Os dois números [;r;] e [;\theta;] escritos nesta ordem e denotados por [;(r,\theta);] chamam-se coordenadas polares do ponto. Observe que a semi-reta [;\theta = 0;] é o semi-eixo positivo dos [;x\;] e [;\theta = \pi/2;] é o semi-eixo positivo dos [;y;] e [;r = 0;] indica-se a origem ou polo do sistema de coordenadas polares.

O termo "distância orientada" é devido ao fato de que em algumas situações encontramos [;r;] negativo. Nesse caso, subentende-se que em vez de sair da origem no sentido indicado pelo lado terminal de [;\theta;] nos dirigimos para a origem a ponto, percorrendo uma distância [;r;] no sentido oposto a ele. Para compreender melhor este caso observe a figura abaixo.

Podemos associar o sistema de coordenadas polares com o sistema de coordenadas cartesianas colocando o eixo polar sobre o eixo [;x\;], de modo que eixo polar [;OA;] aponte para o sentido positivo do eixo [;x\;] como na figura acima. Nesta figura, o ponto [;A;] possui coordenadas [;(3,\pi/4);], mas este ponto também tem coordenadas polares dadas por [;A(3,\pi/4 + 2\pi);]. Assim, todo múltiplo de [;2\pi;] somado ou subtraído da coordenada [;\theta;] de um ponto produz um outro ângulo com o mesmo lado terminal; portanto, temos uma outra coordenada [;\theta;] do mesmo ponto.

Simmons comenta em seu livro de Cálculo com Geometria Analítica diz: "o fato de que um ponto não é representado por um único par de coordenadas polares é um aborrecimento, embora pequeno. Contudo, é verdade que qualquer par de coordenadas polares dado determina o correspondente ponto sem nenhuma ambiguidade."

Agora, já temos dois sistemas de coordenadas no plano e próximo passo é descobrir o modo de transformar as cordenadas de um sistema nas coordenadas do outro e vice-versa. Para isso, considere a figura abaixo:

Do triângulo retângulo, temos [;\cos \theta = x/r;] e [;\sin \theta = y/r;]. Assim, para transformar coordenadas polares em coordenadas cartesianas, usamos as expressões:

[;\begin{cases}x = r\cos \theta\\y = r\sin \theta\end{cases};]

Novamente deste triângulo retângulo, temos

[;\tan \theta = \frac{y}{x} \quad \Rightarrow \quad \theta = \arctan \frac{y}{x};]

e pelo teorema de Pitágoras,
[;x^2 + y^2 = r^2;]

Estas expressões nos fornece o caminho para transformar coordenadas cartesianas em polares, isto é,

[;\begin{cases}\theta = \arctan \frac{y}{x}\\r = \sqrt{x^2 + y^2}\\\end{cases};]

Exemplo 1: Transforme:
[;a);] [;(3,4);] para coordenadas polares;
[;b);] [;(2,\pi/3);] para coordenadas cartesianas.

Resolução:
[;a);] Neste caso, [;r = \sqrt{3^2 + 4^2} = 5;] e [;\tan \theta = 4/3 \quad \Rightarrow \quad \theta = \arctan 4/3;].
[;b);] Analogamente, usando as expressões acima, temos

[;x = 2\cos \pi/3 = 2\cdot 1/2 = 1;]
e
[;y = 2\sin \pi/3 = \sqrt{3};]

Se o raio vetor [;r;] está relacionado com [;\theta;] através da expressão [;r = f(\theta);], então se a função [;f(\theta);] é razoavelmente simples, podemos esboçar o seu gráfico escolhendo uma sequência adequada de valores de [;\theta;] e calculando os valores correspondentes de [;r;]. O gráfico polar abaixo nos auxilia nesta tarefa.

Exemplo 2: A curva cuja equação polar é [;r = 2(1 + \cos \theta);] é conhecida por cardióide (coração em latim). Sua representação no gráfico polar é dada na figura abaixo.

Outros gráficos podem ser gerados desta forma, tais como circunferências, limaçons, lemniscatas, espirais, rosáceas, etc. os quais serão abordadas em posts futuros.

Gostará de ler também:
- A Translação de Eixos no Plano;
- A Rotação de Eixos no Plano;
- Área em Coordenadas Polares (Blog O Baricentro da Mente);
- A Cissóide de Diócles.

5 comentários:

  1. Olá Paulo, ótima postagem e veio na hora certa! Estou escrevendo um post sobre determinação de áreas em coordenadas polares e acho que parte do trabalho será poupado. Vou indicar este seu artigo ao invés de escrever.

    Um abraço!

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  2. Que bom que estamos em sintonia e que este post irá servir para o post sobre áreas em coordenadas polares. Obrigado pelo comentário e volte sempre!

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  3. Prof. Paulo Sérgio,

    Gostei muito do post! Revisei sobre coordenadas polares de uma forma lapidar! Mal vejo a hora de ver o complemento do Kleber...

    Valeu!

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  4. Temos que apresentar mais assuntos envolvendo coordenadas polares pela beleza e simplicidade das ideias. Obrigado pelo comentário e volte sempre!

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  5. Olá Paulo. Ando lendo um livro de Cálculo e por ver estes temas em coordenadas polares, me inspirou em escrever sobre. Este primeiro que vou fazer é sobre áreas e o próximo é (espero) sobre comprimento de arcos. Ainda tem aquele que está pendente sobre comprimentos em forma paramétrica, não esqueci deste não.
    Um abraço!

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