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terça-feira, 1 de maio de 2012

O Teste da Segunda Derivada

Pela sua praticidade, o teste da segunda derivada é muito útil para classificar os pontos críticos de uma função. Mas lembramos que nos casos em que este teste falha, convém usar o teste da primeira derivada. Neste post, apresentaremos este teste bem com alguns exemplos e aplicações.

Lema 1: Se [;f;] é uma função contínua e [;f(x_0) \succ 0;], então existe [;\delta \succ 0;] tal que se [;x \in (x_0 - \delta, x_0 + \delta);], então [;f(x) \succ 0;].

Demonstração: Tomando [;\epsilon = f(x_0)/2 \succ 0;] e usando o fato que [;f;]é uma função contínua, existe [;\delta \succ 0;] tal que se [;|x - x_0| \prec \delta;], então [;|f(x) - f(x_0)| \prec \epsilon;], ou seja, 

[;x_0 - \delta \prec x \prec x_0 + \delta \quad \Rightarrow \quad -\frac{f(x_0)}{2} \prec f(x) - f(x_0) \prec \frac{f(x_0)}{2};]

donde segue o resultado. Usaremos este lema para demonstrar o teste da segunda derivada. 

Lema 2: Se [;f;] é uma função derivável em [;(a,b);], então [;f;]é contínua neste intervalo. 

Demonstração: Mostraremos que [;f;]é contínua no ponto [;x_0 \in (a,b);]. Para isto, basta provar que
 [;\lim_{x \to x_0}f(x) = f(x_0);]
 ou equivalentemente, 

[;\lim_{x \to x_0}f(x) - f(x_0) = 0;] 
De fato, 

[;\lim_{x \to x_0}\frac{f(x) - f(x_0)}{x - x_0}\cdot (x - x_0) = \lim_{x \to x_0}\frac{f(x) - f(x_0)}{x - x_0}\cdot \lim_{x \to x_0}(x - x_0);]

                                                 [;=f^{\prime}(x_0)\cdot 0 = 0;]

Teorema 1 (O teste da segunda derivada) Sejam [;f;] uma função derivável em um intervalo aberto [;(a,b);] contendo o ponto crítico [;x_0;] tal que [;f^{\prime}(x_0) = 0;]. Se [;f;] admite derivada segunda [;f^{\prime \prime};] em [;(a,b);] e se 

[;i);] [;f^{\prime \prime}(x_0) \prec 0;], então [;P_0(x_0,f(x_0));] é um ponto de máximo local.
[;ii);] [;f^{\prime \prime}(x_0) \succ 0;], então [;P_0(x_0,f(x_0));] é um ponto de mínimo local.

Demonstração: Provaremos o item [;i);], pois o outro caso é análogo. Como [;f;] é admite derivada de segunda ordem, então pelo Lema 2, [;f^{\prime};] é uma função contínua. Por hipótese, [;f^{\prime \prime}(x_0);], existe de modo que 

[;0 \prec f^{\prime \prime}(x_0) = \lim_{x \to x_{0}^{-}}\frac{f^{\prime}(x) - f^{\prime}(x_0)}{x - x_0} \quad \Rightarrow;]

[;\lim_{x \to x_{0}^{-}}\frac{f^{\prime}(x)}{x - x_0} \succ 0;] 

Sendo [;f^{\prime}(x);] contínua, pelo Lema 1, existe [;\epsilon_1 \succ 0;]  tal que se [;x \in (x_0 - \epsilon_1,x_0);], então [;f^{\prime}(x)/(x - x_0) \succ 0;]. Sendo [;x - x_0 \prec 0;], segue que [;f^{\prime}(x) \prec 0;] para todo [;x \in (x_0 - \epsilon_1,x_0);]

Usando o limite lateral à direita, existe [;\epsilon_2 \succ 0;] tal que se [;(x_0,x_0 + \epsilon_2);], então [;f^{\prime}(x)/(x - x_0) \succ 0;]. Sendo [;x - x_0 \succ 0;], segue que [;f^{\prime}(x) \succ 0;] para todo [;x \in (x_0,x_0 + \epsilon_2);]. Assim, temos um intervalo aberto [;(\epsilon_1,\epsilon_2);] contendo [;x_0;] tal que [;f^{\prime}(x);] muda de sinal. Logo, pelo teste da primeira derivada, segue que [;P_0(x_0,f(x_0));] é um ponto de mínimo local.


Observação 1: O matemático Pierre de Fermat conhecia este resultado e usou em vários problemas de otimização. Um outro modo de prová-lo é usar a expansão de Taylor de [;f;] em torno do ponto [;x_0;], ou seja, 

[;f(x) = f(x_0) + f^{\prime}(x_0)(x - x_0) + \frac{f^{\prime \prime}(x_0)}{2}(x - x_0)^2 \quad \Rightarrow;] 

[;f(x) - f(x_0) = \frac{f^{\prime \prime}(x_0)}{2}(x - x_0)^2;] 

Se em uma vizinhança de [;x_0;], [;f^{\prime \prime}(x_0) \succ 0;], então [;f(x) - f(x_0) \geq 0;], de modo que [;P_0(x_0,f(x_0));] é um ponto de mínimo local.  O outro caso é análogo.

Exemplo 1: Use o teste da segunda derivada, classifique os pontos críticos e esboce o gráfico das funções abaixo

[;a);] [;f(x) = x + 1/x;]
[;b);] [;g(x) = x^3 - 3x^2 - 24x + 1;]

Resolução: 
[;a);] [;f^{\prime}(x) = 1 - 1/x^2 = 0 \quad \Rightarrow \quad x = \pm 1;] são os pontos críticos. Por outro lado, [;f^{\prime \prime}(x) = 2/x^3;], o qual existe para [;x \neq 0;]. Como [;f^{\prime \prime}(-1) = -2 \prec 0;], então pelo teste da segunda derivada [;P_0(-1,-2);] é um ponto de máximo local. Por outro, sendo [;f^{\prime \prime}(1) = 2 \succ 0;], segue que [;P_1(1,2);] é um ponto de mínimo local. 

Além disso, usando o fato que 

[;\lim_{x \to 0^{-}}f(x) = \lim_{x \to -\infty}f(x) = -\infty;]
 e 
[;\lim_{x \to 0^{+}}f(x) = \lim_{x \to +\infty}f(x) = +\infty;]

obtemos o gráfico da função [;f;], conforme a figura abaixo:

[;b);] Neste caso, [;g^{\prime}(x) = 3x^2 - 6x - 24;]. Os pontos críticos de [;g;] são as raízes de [;g^{\prime};], ou seja, [;x_0 = -2;] e [;x_1 = 4;]. A derivada segunda de [;g;] existe e é dada por [;g^{\prime \prime}(x) = 6x - 6;]. Sendo [;g^{\prime \prime}(-2) = -18 \prec 0;] e [;g^{\prime \prime}(4) = 18 \succ 0;], segue que [;P_0(-2,29);] é um ponto de máximo local e [;P_1(4,-79);] é um ponto de mínimo local. Usando o fato que 
[;\lim_{x \to -\infty}f(x) = -\infty \quad \text{e} \quad \lim_{x \to +\infty} f(x) = +\infty;] 

o gráfico de [;f(x);] é dado na figura abaixo. 


Exemplo 2: Entre todos os retângulos de perímetro [;20 \ cm;], mostre que o quadrado é o que possui área máxima. 

Resolução: Sejam [;x\;] e [;y;] os lados do retângulo. Por hipótese, de modo que [;y = 10 - x;]. Sendo [;S = xy;], então [;S(x) = 10x - x^2;]. Os pontos críticos são raízes da equação [;S^{\prime}(x) = 10 - 2x = 0;], ou seja, [;x = 5\ cm;]. Note que [;S^{\prime \prime}(x) = -2 \prec 0;], de modo que o ponto [;P_0(5,S(5));] é o único ponto de máximo local. 


Gostará de ler também: 
- O Teste da Primeira Derivada;
- Alguns Problemas de Otimização Sem o Uso da Derivada;
- Problemas de Otimização Através da Trigonometria;
- O Problema da Passagem do Guarda-Roupa

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