Um sistema de coordenadas no plano permite-nos associar um par ordenado de números a cada ponto do plano. Essa ideia simples e profunda que surgiu nos trabalhos dos matemáticos René Descartes e Pierre de Fermat, no século
permite juntamente com o Cálculo investigar as propriedades das curvas através das ferramentas da Álgebra.
Na maioria dos casos, é abordado apenas o sistema de coordenadas retangulare ou cartesianas, no qual a ênfase é colocada sobre as distâncias de um ponto a dois eixos perpendiculares. Em algumas aplicações, tais como a curva descrita por um planeta em torno do sol, é mais vantajoso usar um outro sistema de coordenadas cuja posição de um ponto é descrito por sua direção a partir da origem, e por sua distância da origem. Um tal sistema é chamado de sistema de coordenadas polares.
Na figura acima, temos um ponto
juntamente com suas coordenadas. A semi-reta
é chamado eixo polar e
é o raio vetor. A direção especificada por um ângulo
em radianos, medida a partir de
. Este ângulo
é positivo se for medido no sentido anti-horário e negativo se for medido no sentido horário exatamente como se faz na Trigonometria. A distância é dada pela distância orientada
, medida a partir da origem ao longo do lado terminal do ângulo
. Os dois números
e
escritos nesta ordem e denotados por
chamam-se coordenadas polares do ponto. Observe que a semi-reta
é o semi-eixo positivo dos
e
é o semi-eixo positivo dos
e
indica-se a origem ou polo do sistema de coordenadas polares.
O termo "distância orientada" é devido ao fato de que em algumas situações encontramos
negativo. Nesse caso, subentende-se que em vez de sair da origem no sentido indicado pelo lado terminal de
nos dirigimos para a origem a ponto, percorrendo uma distância
no sentido oposto a ele. Para compreender melhor este caso observe a figura abaixo.
Podemos associar o sistema de coordenadas polares com o sistema de coordenadas cartesianas colocando o eixo polar sobre o eixo
, de modo que eixo polar
aponte para o sentido positivo do eixo
como na figura acima. Nesta figura, o ponto
possui coordenadas
, mas este ponto também tem coordenadas polares dadas por
. Assim, todo múltiplo de
somado ou subtraído da coordenada
de um ponto produz um outro ângulo com o mesmo lado terminal; portanto, temos uma outra coordenada
do mesmo ponto.
Simmons comenta em seu livro de Cálculo com Geometria Analítica diz: "o fato de que um ponto não é representado por um único par de coordenadas polares é um aborrecimento, embora pequeno. Contudo, é verdade que qualquer par de coordenadas polares dado determina o correspondente ponto sem nenhuma ambiguidade."
Agora, já temos dois sistemas de coordenadas no plano e próximo passo é descobrir o modo de transformar as cordenadas de um sistema nas coordenadas do outro e vice-versa. Para isso, considere a figura abaixo:
Do triângulo retângulo, temos
e
. Assim, para transformar coordenadas polares em coordenadas cartesianas, usamos as expressões:
Novamente deste triângulo retângulo, temos
e pelo teorema de Pitágoras,
Estas expressões nos fornece o caminho para transformar coordenadas cartesianas em polares, isto é,
Exemplo 1: Transforme:
para coordenadas polares;
para coordenadas cartesianas.
Resolução:
Neste caso,
e
.
Analogamente, usando as expressões acima, temos
e
Se o raio vetor
está relacionado com
através da expressão
, então se a função
é razoavelmente simples, podemos esboçar o seu gráfico escolhendo uma sequência adequada de valores de
e calculando os valores correspondentes de
. O gráfico polar abaixo nos auxilia nesta tarefa.
Exemplo 2: A curva cuja equação polar é
é conhecida por cardióide (coração em latim). Sua representação no gráfico polar é dada na figura abaixo.
Outros gráficos podem ser gerados desta forma, tais como circunferências, limaçons, lemniscatas, espirais, rosáceas, etc. os quais serão abordadas em posts futuros.
Gostará de ler também:
- A Translação de Eixos no Plano;
- A Rotação de Eixos no Plano;
- Área em Coordenadas Polares (Blog O Baricentro da Mente);
- A Cissóide de Diócles.